O MOTIVO DE TODO ESSE MAL

O MOTIVO DE TODO ESSE MAL
O MOTIVO DE TODO ESSE MAL

ORAÇÃO DA SERENIDADE

"Deus, conceda-me Serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar, Coragem para modificar aquelas que posso e Sabedoria para reconhecer a diferença, Só por Hoje, Funciona."

"EU ME ABRAÇO A VOCÊS E UNO O MEU CORAÇÃO AO SEUS PARA QUE JUNTOS POSSAMOS FAZER TUDO AQUILO QUE SOZINHO NÃO CONSIGO"

quarta-feira, junho 08, 2011

"UMA HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO"

Não quero falar aqui de minha adicção ativa, do que e quanto consumi. A estória de qualquer adicto é a mesma: sofrimento. Fiz insanidades da mesma natureza de qualquer um e coisas que me arrependo. Não sou melhor nem pior que ninguém: somos iguais e precisamos estar limpos só por hoje. Quero falar da esperança.
         Demorou para entender que havia, por anos a fio, jogado minha vida fora. Quando iniciei meu tratamento, percebi que meus valores estavam completamente deturpados. Chorei muito ao ter consciência de tudo o que fiz e de minha impotência perante às drogas e aos meus defeitos de caráter. O sentimento de culpa, remorso e tantos outros se misturavam aqui dentro. Como olhar para minha filha de oito anos e dizer que destrui seu porto seguro, sua família? Como olhar para as pessoas e dizer-lhes que tudo era uma farsa? E a mim? Foi difícil me perdoar e entender que não apenas tinha uma doença mas que a cura estava aqui dentro. Uma cura difícil, feito dia após dia, sem garantias de que ela seria contínua por toda minha vida.
        Após entender e aceitar tudo isso, fui resgatar meu amor próprio, minha autoestima, minha fé. Pulei no escuro, na incerteza, mas sabia que a vida sem drogas jamais poderia ser pior do que com drogas.
        Não vou dizer que foi fácil, que eu busquei inicialmente o tratamento. Fui para uma internação porque era minha única opção. Fui por não ter escolha. Ainda achava que poderia retomar minha vida aqui fora normalmente (quanta insanidade).
         Na primeira visita, muita emoção. Ainda estava desnorteado. Na segunda,  minha esposa pediu o divórcio. Me lembro que disse "tudo bem", que não poderia forçar alguém a ficar comigo. Ao final desta visita, fui para o meu quarto e fiquei equacionando as coisas em minha vida:  estava com minha vida profissional incerta, pois não sabia como seria meu retorno: duas das escolas que trabalhava não apenas sabiam do meu problema e de que estava fazendo tratamento como se dispuseram a me reintegrar novamente; meus filhos ainda sofriam muito e estavam meio distantes; meu casamento estava terminado; meus pais e meus irmãos, embora torcessem por mim, não tinham muito o que fazer, só eu.
       Muitos sentimentos ruins tomaram conta de mim. Chorei, me desesperei, tive vontade de desistir, achava que não conseguiria dar a volta por cima. Várias pessoas foram fantásticas e me ajudaram bastante a estar aqui hoje, dizendo que mesmo quando estamos no fundo do poço, basta olharmos para cima e veremos Deus, prontos para nos ajudar. Reaprendi a ter fé, a buscar forças quando achava que não as tinha, a ser radical em meu amor próprio, a não ter meio termo em recuperação, a acreditar que poderia ter minha vida novamente.
       Foi aí que muita coisa aconteceu: na minha visita aqui após oito meses de internação (uma semana e, após, o retorno para concluir o tratamento), Deus restaurou tudo em minha vida. Minha fé, meu amor próprio me foram devolvidos; fui às escolas que trabalhava e elas me disseram que estavam de portas abertas, esperando que eu terminasse meu tratamento; passei uma semana com meus filhos na casa de minha mãe, minha família me acolheu de forma excepcional e meu casamento foi restituído.
       Se eu disser que reconquistei tudo novamente estaria mentindo. Deus me tirou da sarjeta e recolheu com carinho tudo o que eu jogara fora. É como se ele dissesse "vês, o que precisa mais?". Me senti Jó.
       Ao retornar para a Fazenda a fim de concluir meu tratamento, fui radical. Foi aí que entendi que não havia mais sentido naquela vida vazia que tinha. Era trocar tudo por nada, tudo o que era de mais valioso por nada, apenas alguns minutos de prazer e, este prazer era apenas inicial, pois no fim, não havia mais nenhum prazer, apenas sofrimento.
     Hoje, após pouco mais de dois anos e meio limpo, estou em um bom momento. Aprendi, a duras penas, que sobriedade não é apenas "estar limpo", mas ter equilíbio nas ações, posturas e sentimentos. Entendi que o perdão tem que partir inicialmente de mim para mim e que ser honesto é fundamental. Reconheci que quando minto para alguém, estou mentindo é para mim mesmo. Não quero ser "santo" ou o melhor, mas quero fazer o dia de hoje melhor do que ontem e, só por hoje, acreditar que estarei bem e limpo pelo resto de minha vida, apenas por hoje.


Jorge Alberto 

2 comentários:

  1. Pois é Davi, eu hoje sou seguidora incondicional do seu blog e do blog do Jorge, e acho que temos que fazer o máximo para divulgar o blog de ambos, vocês dois são exemplos de superação, e poxa, muita gente me pergunta se eu acredito na recuperação do D.Q., infelizmente ainda tem muita gente que acha q n é possível e vcs tão aí, escrevendo maravilhosamente bem, pra mostrar que é possível sim!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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